quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Assim seja

"Assim seja" é uma das expressões que eu menos esperei usar na vida.... Apesar de que é um sinônimo para a palavra "Amém" que usamos tanto nas nossas orações, assim seja foi o encerramento da fase.
Que assim seja!

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Carnaval, o balanço


Como era de esperar, meu carnaval foi adequado aos meus planos... caseiro e sem aventuras, pelo menos em teoria. Já superei a fase em que eu e um bando de gente nos aventurávamos estrada afora descendo a Tamoios em direção à Ilhabela para 4 dias de muita pinga, pouca comida e pouca água, em que tudo ficava congestionado.
O fato curioso deste feriadão ocorreu em Indaiatuba, quando estávamos no Parque Ecolocógico tomando umas doses de uisque com guaraná, aproveitando o vento da noite quente quando do outro lado do parque estourou uma briga... ficamos dalí observando o quebra quebra de nossa distância segura, e como era distante mesmo, a PM chegou, nem demos atenção, pois a conversa estava mais agradável. De repente olhei e observei um homem correndo pelo parque em nossa direção... passou por nós e disse : " voces não me viram"...e sentou-se no banco ao lado... o grupo lá de baixo subiu e aos poucos foi se aproximando junto com a polícia em busca do meliante, enquanto eu mordia a beirada do copo por antever que eu me encontrava no epicentro do próximo estágio da briga.. Dito e feito.. longos minutos depois enquanto as pessoas procuravam o cara, finalmente alguém gritou... Olha ele alí!!!!! exatamente ao nosso lado... chegaram os seguranças do bar e o chefão meteu-lhe "o tapa" na cara... choveram seguranças, polícia e a turma do deixa-disso numa muvuca incrível.... e nós alí, tentando passar desapercebidos. A frase de efeito veio de meu amigo quando nos levantamos pra afastar da quebradeira.... "pega o Uisque" que jazia praticamente esquecido na grama lançando olhares suplicantes pedindo nossa ajuda... Agarrei o pobre Uisque, o isopor com o gelo e o refrigerante e nos alocamos dois bancos de distancia pra apreciar o espetáculo de derramamento de testosterona, e dalí, ficamos com os copos nas mãos em relativa segurança até o fim do barraco, quando enfiaram o cidadão dentro da viatura e seguiram pra delegacia mais próxima.... Sim saímos dalí, mas somente quando o Uisque acabou de vez, falecendo em doce agonia sendo sorvido aos poucos e com gelo; fomos em busca do posto de gasolina mais próximo em busca de algo mais pra manter a calibragem. É, foi um carnaval dentro das expectativas. Calmo, caliente e movimentado. Noite encerrada ao tom do vinho tinto gelado na praça central em plena madrugada, fazendo o pulso bater em suave compasso digno de qualquer ritmista da Marquês de Sapucaí, com a vantagem de que em 10 minutos eu estava na minha cama, embalado pelo sono....
Negócio complicado esse de carnaval....ou ama-se ou odeia-se.... não consegui me definir a este respeito. Pelo menos aprecio o feriado prolongado e a chance de assistir as escolas do Rio pela TV. A propósito... Viradouro na cabeça!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Xô tristeza!

Decretado!
Xô baixo astral !!! ... bola pra frente.. a vida continua.....
Demorou mas aconteceu... toca prá frente de novo, afinal de contas já era hora.. Muita miséria enche o saco também..

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Calvin e a dor no espírito


O Calvin sempre transcreveu muito do meu pensar.... seu humor ácido e sua imaginação fértil me fizeram sempre vibrar com as histrórias, e relê-las incansavelmente. Sessão nostalgia de hoje traz uma pérola dele, ao clicar sobre a imagem vc poderá ler melhor.
Agora, em fase de avaliação sobre as ações do passado, o resultado continua negativo. Existem coisas na vida que a gente jamais supera, mas que acabamos contornando de alguma maneira mais ou menos paliativa. De certa forma a dor traz também seus benefícios implícitos e nem sempre acho válido evitá-la, pois entendí agora que é uma das melhores maneiras de fixação de aprendizado que existe. Não se trata de auto-flagelação, mas talvez de uma maneira menos confortável de entender que os resultados de nossas ações estão interligados de muitas maneiras, e que doer vai fazer evitar a repetição de erros no futuro. Estamos em constante mudança, nos adaptando a este mundo doido que nos trucida um pouco a cada dia, para que a cada manhã, sejamos novos, diferentes e mais resistentes. Eu que me julgava escolado o suficiente, fui recolocado à minha posição de reles mortal, de humano cretino e torpe, justamente eu, que sempre fui tão eloquente ao me referir sobre o quanto o ser humano pode vir a ser torpe. Na qualidade de humano, sou torpe igual, e foi bom me sentir de volta às origens, pra que certa dose de humildade pudesse ser restabelecida e que me recordasse de buscar em tornar alguém melhor sempre. Isso é parte indefectível do amadurecimento e crescimento pessoal.
Benvindo à condição de ser humano de novo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Mudaram as estações

Pensei muito nisso hoje.. sempre uma trilha sonora aflora do nada pra acompanhar o momento.
 
Mudaram as estações, nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente

Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre sem saber que pra sempre sempre acaba

Mas nada vai conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém só penso em você
E aí, então, estamos bem

Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está
Nem desistir, nem tentar, agora tanto faz...
Estamos indo de volta pra casa...
 
 
 

Pena de morte


Fala-se tanto a respeito da dignidade dos presos, dos cuidados especiais que criminosos devem receber como seres humanos e demais detalhes. Alguem pode me ajudar a entender que tipo de tratamente devem receber os dois assaltantes que roubaram um carro numa avenida do Rio, cuja mulher que teve o veículo roubado não conseguiu tirar o filho de 6 anos que ficou preso no cinto de segurança, e foi arrastado por 7 quilometros pelas ruas do subúrbio... honestamente não consigo ter o menor indício de compaixão e respeito pela vida de homens homens que sabiam que havia uma criança sendo arrastada pelas ruas enquanto eles fugiam. Nessas horas, acredito que a pena de morte seria o mais perfeito resultado pra encerrar o caso, com a morte dos dois homens que mataram o garoto com tamanha crueldade, pois um deles é menor de idade, e depois de 3 anos numa instituição correcional, voltará escolado em definitivo pra sociedade pra matar novamente, depois de consumir recursos públicos por 3 anos... o outro, maior de idade, poderá cumprir pena de 30 anos, comendo e dormindo sob custas públicas também, sem render nada pra pagar seu sustento.... Creio que duas mortes rápidas através de injeção seriam econômicas o suficiente.... Interessante o posicionamento da China, que quando executa prisioneiros, manda pra família do cara o custo das balas utilizadas no fuzilamento. Deveríamos ser mais racionais e menos emocionais.... Mais do que nunca aprendi que emoção não traz benefícios, apenas uma doce ilusão que se desvanece um dia e se transforma numa tristeza sem fim.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Feliz Aniversário Markus


É.... aniversário de novo..... será que não dá pra gente pular essa parte todo ano? Infelizmente creio que não.
O pior de tudo é ter um baita esquema na cabeça, quando eu realmente estava no clima pra comemorar em alto estilo, com alegria de verdade com todos por quem eu tenho carinho, como eu nunca tinha feito antes, tava disposto a estar feliz e fazer a diferença neste dia, deixando todo mundo de quem gosto feliz junto comigio nesta semana.... Não deu certo... não deu nada certo.
Junto com o "nada certo", veio uma onda de tristeza sem precedentes que não pude segurar, que jogou por água abaixo toda a expectativa da programação da felicidade agendada... estranho como um "momento feliz agendado" pode fazer tanta diferença. Principalmente quando o agendamento não se concretiza e se transforma num pesadelo. Curiosamente o que tinha toda a programação pra ser um dos melhores momentos, se transformou exatamente no oposto, um dos momentos mais tristes que já experimentei em vida, principalmente quando todo mundo espera que justamente neste dia, voce esteja muito feliz, pois é seu dia... não tive o dia, não tive nada... o que tive foi todo o oposto que se espera num dia de aniversário.
Celular tocou muito cedo me "autorizando" a reversão do quadro, tentando me fazer feliz, mas infelizmente já era tarde demais pra que qualquer coisa fosse feita, pois depois da ação, tem sempre a reação. Simplesmente não tive força nem vontade de aceitar as migalhas e continuar me maltratando. Tenho visto muito isso ultimamente, os resultados da ações que se tornam consequências que nem todo mundo aprecia, e depois, ninguem aceita os resultados.... me remeteu de imediato á uma história chinesa que diz algo sobre plumas espalhadas ao vento, que jamais poderão ser recolhidas novamente... as ações tem sido assim, impossíveis de serem recuperadas, cujas marcas permanecem pra sempre.
Me sinto triste é óbvio, pesaroso e de certa forma, injustiçado, sentindo falta da alegria que resolveu me abandonar no dia de hoje. Sei que é errado pensar assim, mas como se consegue evitar? Não creio que seja viável. Vou pra academia como faço todos os dias e transformar a mágoa em energia, depois talvez tomar uma overdose de suco de maracujá pra dormir cedo e encerrar a fase. Bem que eu dizia desde o começo da programação.. eu não deveria estar aqui hoje.
Em tempo: Martírio e auto-flagelação dizem que faz um bem danado.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Ode da infelicidade

Tristeza não tem fim
Felicidade sim....

Musica escrota, mas que neste momento diz muito ....
Talvez seja um excelente momento para reflexão.
Algumas latas de cerveja podem ajudar... ou não?

A Felicidade
Vinicius de Moraes/Tom Jobim

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor

A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta feira

Tristeza não tem fim
Felicidade sim

A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
Tristeza não tem fim Felicidade sim

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Canetas... uma fobia

Queria entender o que se passa... vejo alguem com uma caneta nova, dessas que todo mundo ganha aos montes de brinde.. a boca começa a salivar, os olhos brilham, as mãos tremem.. tudo isso por causa do desejo incontrolável de pegar canetas e guardar.... Sempre ganhei e ganho canetas aos montes, e sempre levo pra um determinado local de armazenamento (uma caixa de sapatos) e lá estao se acumulando aos montes.. o pior, logicamente nao se consegue usar a todas, então elas secam e se estragam na caixa dolorosamente, pois cada uma delas tem uma história, um fato marcado... confesso que já roubei muita caneta por aí, afinal de contas, minha cleptomania por canetas é mais forte que eu, mas também já tive muitas de minhas preciosas roubadas também.. ok, vergonha assumida, mas o melhor de tudo, foi voltar ao trabalho hoje após o almoço e encontrar um jogo novo de reluzentes caneta e lapiseira sobre a mesa... um cliente, agradecido pelos meus serviços prestados, me mandou de presente... tarde feliz.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Armas e favelas

Ha tão pouco tempo atrás fomos questionados sobre a possibilidade de se proibir totalmente o porte de armas para os cidadãos brasileiros, quando nossa portabilidade foi preservada através de voto popular e uma campanha não muito feliz.. Todo mundo se lembra, certo?
Hoje recebi um email triste de um amigo americano. Seu sobrinho foi uma vítima fatal num acidente com arma de fogo e os pais do cara tavam inconsoláveis, assim como toda a familia. Não perguntei muito, pois seria muito deselegante de minha parte ficar perguntando sobre esses detalhes, mas pude perceber o quanto estavam todos consternados....não teve como não evitar uma linha de pensamento, quando os americanos também lutaram tanto pelos seu direito a usar armas, e hoje ainda pagam o preço virando números em estatisticas não tão nobres assim. Tirando esse pensamento todo torpe, faz parte da vida mesmo assim.... americanos também morrem tragicamente com tiros na cabeça através da cavidade ocular, não apenas os brasileiros nas favelas.
Ron... I really sorry your lost...keep the faith and the strenght. Lean on me!

terça-feira, janeiro 30, 2007

Privacidade

Que droga...
Novamente a ausência da privacidade.
Continuo achando que a maior solidão é aquela entre uma multidão de estranhos, mas quando a multidão não é mais unicamente composta por uma legião de estranhos, o teor de verdade passa a ser editado. Não se trata de muita ficção, mas a verdade mascarada não é mais a mesma. Os sentimentos também não são mais os mesmo que são deslocados para as palavras. É a ficção imitando a arte.

Ter ou não ter namorado

Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido.

Artur da Távola

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Final



Último dia, já começou errado.... café da manhã, volta pra cama, dorme mais um pouco, acorda assustado. Faltam 10 minutos pra sair do quarto....banho apressado, tudo socado dentro da bolsa, esquece o shampoo no banheiro, pede o fechamento, desce, paga enquanto o funcionário pede 10% de caixinha, que não paguei, of course... Qual era o plano mesmo? Eita, almoço em Vicente de Carvalho de novo, e lá vamos sob o sol escaldante pelo metrô direto ao subúrbio... almoço, lasanha gorda, risos, louças lavadas, olhares cruzados de novo desta vez em 3 tempos simultâneos, roupas pelo tapete e o relógio gritando... faltava pouco tempo para o vôo de retorno... Tudo encerrado da mesma maneira como começou, rápido demais... Correria de carro, será que temos carona? Não temos, o ônibus a ser tomado pro aeroporto do Galeão é aquele... Embarcamos, ônibus serpenteia pela Penha enquanto eu lançava olhares agonizantes pra cobradora... Pedi um taxi, ela disse ser impossível naquele momento... tive de esperar... Avenida Brasil, salto do onibus, assombrado, olho pelos lados, nada que lembre um taxi ou alguem que pudesse ajudar na comunidade daquela favela... Informações desencontradas e a unica coisa que restou foi correr pela avenida sinalizando aos taxis que passavam e não paravam. Finalmente, depois de longos metros e minutos, um taxi amarelo chegou-se, e quando eu disse "Voa pro aeroporto" o cara entendeu direitinho, e literalmente voou baixo pra Ilha do Governador... cheguei ao aeroporto e a entrada foi digna de um filme, correndo com passagem na mão....era tarde, o avião partia naquele momento, tive de remarcar.... Quase surtei na fila esperando o atendimento da GOL, e 498 reais depois lá estavamos de volta ao rol dos passageiros que esperavam um avião que decolaria as 20:30h pra Campinas... Muita água, café e cigarro depois, quando tudo se acalmou, check in foi feito com uma hora de antecedência e liberados para a sala de embarque....Havia muita coisa confusa na cabeça ainda a respeito dos últimos acontecimentos, mas a poltrona trouxe um conforto silencioso inesperado para as costas até quando, faltando 15 minutos para o embarque, foi avisado no alto falante que o vôo estava suspenso.... minha decepção não teve limites, até quando finalmente, mais de 2 horas depois, estávamos no avião decolando....muita turbulência depois, numa noite estupenda que revelou-se depois das nuvens, e numa grande mancha iluminada do horizonte que se transformou em Campinas, com tentáculos luminosos estendendo-se em todas as direções e sinalizando algo que nao tinha caído minha ficha ainda.....Rodas na pista abruptamente, reversão dos motores, sensação de tudo acabado... o aeroporto pareceu mais frio que o habitual, justo agora que eu ja estava acostumado ao mormaço carioca. Taxi, era muito tarde, casa, rotina recomeçada e uma pilha gigantesca de roupas por lavar.
Ficou a sensação da perda que até agora não sei dizer exatamente sobre o que... não sei se foi a perda da inocência, ou a perda da expectativa por algo que era uma vontade e setransformou em realidade... É certo que nenhum de todos os fatores sozinho consegue restabelecer a sensação. Somente o pacote completo traria novamente tamanha sensação de prazer e alegria, que logicamente sabemos todos, não se repetem sob as mesmas condições de temperatura e pressão.... Ficou a ausência confusa, e só.... Uma outra coisa ficou explicitamente clara.... que faria tudo de novo sem pestanejar um segundo sequer, pois a alegria foi muito, mas muito surpreendente...e que todos os segundos foram importantes.
O relato é atemporal, começa do fim pro começo, mas é honesto e claro, verdadeiro... aliás, nem tão verdadeiro como eu gostaria que fosse, mas traça muito claramente o que processei do ultimo fim de semana....gozado...a gente sai de casa em forma de homem seguro de si, confiante, e volta pra mesma casa com a sensação de quem comeu estrelas... tudo e nada ao mesmo tempo. Contraditório não?

Meio



Segundo dia, voce se sente seguro do local onde está e não é mais mais um completo idiota perdido. Pelo menos o metrô voce já sabe usar.... manhã perdida recompondo as energias da noite anterior depois de um baita cafe da manhã colonial.. unica forma de adquirir calorias de forma barata e muito saudável por aqueles lados.... depois de uma manhã extra dormida, qual o plano? Praia não dava, pele muito queimada de um lado só e sem chance de mais exposição... vamos a Niterói explorar e achar o Museu? Sim, mas como? De metrô e pelas barcas, é claro....
Armados de câmera fotografica, camiseta cavada e Sundown na cara, lá fomos nós... Metrô estação do Catete, segue pra Estação Carioca, mas por via das dúvidas perguntei pro segurança... caminho tava ensinado, la desci a Rio Branco sentido a Praça 15, até que nao foi dificil, pior foi atravessar uma feira maluca debaixo do viaduto onde vendia-se de tudo, até canudinhos de plástico usados, quase tudo provavelmente fruto de roubo... e turistas tão brancos quanto eu alí olhando e consultando preços como quem faz compras num sultanato da Bangaxixa... me poupe!
Comprados os bilhetes da barca, espera-se num local estranho...povo acumulando até quando uma pequena multidão está formada atras do portão de vidro,.... O barco chega, atraca, o povão que veio de Niterói passa por voce em seguida os portões se abrem.. aí meu caro, cado um por sí, e a multidão parte no formato de uma manada de búfalos... trote acelerado enquanto mocinhas gritam de emoção em busca de um lugar perto da janela.... Travessia bacaninha, mediamente confortavel, fotos sem graça, desembarque... Chega-se à avenida, e um grande ponto de interrogação fica estampado na sua cara... pra qual lado seguir? Ninguem sabe dar uma informação confiável, e em meio a algumas caminhadas meio sem destino, resolvemos aplicar a técnica da Coca-Cola.. Consiste em encontrar o primeiro posto de gasolina com uma conveniência e comprar uma Coca-cola, aproveitando-se pra perguntar aos frentistas qual era o melhor caminho... Escolhemos o caminho que parecia mais fácil, mas acho que erramos alguma coisa no meio dele, pois a caminhada ficou longa demais... quando as esperanças já estavam perdidas, avistamos a praia e seguimos para lá. Para nossa surpresa, estávamos ao lado do nosso objetivo... e na forma de uma nave espacial, lá estava o museu do Niemeier... Local bacana, muito fotografável, e os arredores tambem...principalmente barato, pois nao custou nada... Voltamos na caminhada pelo outro caminho, que foi tão longo quanto o primeiro, mas valeu a pena... Nova travessia, desta vez mais tranquila, pois havia menos pessoas e a Barca era bem maior tambem, o que proporcionou o imenso prazer de ficar longo tempo em pé, na proa da barca, sentindo o vento da Baía de Guanabara com maresia no rosto e aproveitando o visual esplêndido... algo realmente incrivel. Avenida, Metrô, Flamengo, Hotel, Soneca, Jantar, Telefone.. qual a boa? Seguir para o Subúrbio..... no começo uma ideia divertida, depois uma ligeira preocupação em tomar o metrô as 22:00 horas de sábado e seguir pra Vicente de Carvalho no suburbio. Tudo bem, chegamos ao destino... de lá partimos para a noitada, que mostrou-se extremamente HYPE... Eu que esperava um buraquinho cheio de gente feia em Madureira, encontrei uma casa imensa de 3 andares e com o melhor Techno-House e com o maior volume de minha vida... algo assim incrível que depois de algumas brejas, ficou mais incrível ainda....Romance cruzado no ar, muito cruzado...desceu errado pela goela, bocas erradas na hora errada. Peguei no ar, emputeci com a manipulação.
Taxi, cara feia, sermão, hotel, sol raiando, sono agitado....

Vespera


Véspera de viagem é algo incrível. Nunca se sabe com exatidão que roupa levar, e como tava chovendo, resolvi levar guarda chuva e blusa pro Rio de Janeiro. Aquela bagunça pela casa, roupas espalhadas e vc sempre descobre que a camiseta que vc mais queria levar, tá suja, e não dá mais tempo de ser lavada.. Tudo bem, vc se arranja... Noite mal dormida, medo de perder a hora e o avião. Corre pro ponto de ônibus, chega no aeroporto super cedo pro check in antecipado. Cafe com pao de queijo, sala de embarque, frio na barriga, voo tranquilo e quando o avião pousa e abre a porta.. um puta sol divino num calor tropical e voce começa a suar...
Traslado, choro no hotel que libera o check in meia hora mais cedo e finalmente bermudas e chinelo de dedo.... em direção à praia.. Combinação perigosa: Homem muito branco, cadeira de praia, cerveja, ceu claro, vento frio e Pão de Açúcar no visual.... resultado, pele queimada no primeiro dia, e como a cadeira tava muito confortavel, nao se percebe.. só no final do dia o estrago feito... Próximo passo? corre na farmácia e compra Caladryl... gozado como toda vez que vou ao Rio volto com um frasco novo de Caladryl.. enfim...
Expectativa: Oba! vamos à Lapa na mesma noite da chegada!... Eu imaginava algo mais tranquilo, mas fiquei abismado com a quantidade de lugares, bares, pubs, boates, casa, pizzarias, botecos, inferninhos, que se multiplicam em algumas ruas numa profusão de Sodoma & Gomorra ao som de muito samba e bate estaca. Simplesmente alucinante.... Só deu pra voltar pro hotel lá pelas 4 da matina.. podre.....

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Ética da Magia

Foda falar em códigos, mas sinto falta da mágica.... é brutal o quanto a gente se aniquila em vida ao evitar a própria vida. De que adianta ter um coração se ficamos evitando o tempo todo que ele seja quebrado?... O que é melhor; viver sem esse tipo de desventura ou sofrer, mas viver intensamente?

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Cobertor de estrelas

Estive no Rio de Janeiro no ultimo fim de semana, e tem muita coisa boa pra contar com direito a algumas fotos... Um dos fatos mais interessantes foi na volta, quando céu nublado se abriu, eu estava no avião e uma noite linda apareceu na janela, com direito a um visual sensacional de uma grande grupo de luzes no horizonte que rapidamente foram se aproximando a revelar uma grande cidade; não restava dúvidas, era quase meia noite e era era Campinas, linda, imensa, brilhante num cobertor gigantesco de luzes..... Quando o avião tocou a pista de pouso e as turbinas fizeram a reversão, a certeza lacinante, o fim de semana acabava alí em definitivo. A sensação de pés no chão foi maior com a trepidação dos pneus e Viracopos parecia mais cinza e frio do que nunca....  Como é complicado programar uma coisa e depois que o fato acontece, fica a sensação de vazio... Acho que vou me programar com alguma frequencia de agora em diante pra evitar esse tipo de desgosto.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Leo


Trabalhar realmente nao é um negócio muito fácil, e creio que muitas veses o trabalho requer muito mais paciência do que aptidão física , inteligencia ou conhecido adquirido. Tem dias que é realmente um porre, e parafraseando um jargão muito popular, é como matar um leopardo ao dia.. Leopardo? Sim, a foto é de um leopardo em pleno ataque, mas eu nao tinha uma foto de leão. Valeu a idéia.
Amanhã vou ao Rio de Janeiro, tudo certo, avião certo, hotel certo, agenda certa e o sol não tá certo! As chuvas voltaram e hoje choveu adoidado. Acho que eu deveria ter comprado uma passagem de barco.... prometo voltar breve com novidades cariocas, isso é, se os controladores de vôo do Cindacta não causarem alguma comoção nos proximos dias....

Boa chuva a todos...

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Fase de academia



Voltei pra fase de academia depois de um longo e tenebroso inverno. As dores vieram junto, mas a sensação de prazer proporcionada pelo exercício fisico acho muito interessante. Esse negócio de viver numa cidade grande e ficar malhando numa academia, é no mínimo estranho.... Mas tudo bem, tudo pelo corpão e pelos músculos em dia.
Alguns aspectos hilários do dia-a-dia de uma academia tem suas compensações.... a academia fica numa esquina movimentada de Campinas. A parte de aparelhos aeróbicos fica praticamente na calçada, separada apenas pelas grades. Ou seja, quando estou lá me divertindo por 30 minutos na esteira, fico fazendo parte de nossa vitrine viva. O povão que passa pela rua andando ou nos carros que param no semáforo fechado, ficam nos olhando. Hoje prestei mais atenção nisso, e enquanto tava suando e me esforçando, passei a observar que as pessoas quando nos veem, tendem a murchar a barriga, empinar o peito e fazer uma pose mais atlética, tipo assim, "estou bem, não preciso me esforçar como esses caras aí". Outros nos olham com cobiça, pensando "queria ter a disposição desse pessoal que fica malhando aí".. juro que eu quase pude ouvir esses pensamentos todos dos passantes... o ápice da tarde foi um trio de garotas que nos olhavam do outro lado da esquina, e uma dela mandou um beijo escondido para que as amigas não vissem. Como eu estava com outras tres garotas nas esteiras vizinhas, o beijo supostamente foi pra mim... resultado: caímos todos na gargalhada, e em meio ao rubor e risos, encerrei minha caminhada de 3,5 km onde queimei apenas 200 calorias... fiquei lembrando que meu almoço teve no mínimo 900 calorias e fiquei decepcionado. Resolvi me dedicar ao supino invertido e me resignar aos 80 quilos do legpress....

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Conversa de chão de fábrica

Estávamos falando, no meio da fábrica, sobre os avanços da tecnologia e sobre o quanto o homem estará avançado num futuro bem próximo. Num determinado momento, o assunto eram robôs... a conversa fluiu assim:
( A ) _ Craro que as coisa é assim. Daqui um pouco vamos ter robô em tudo.
( B ) _ Num sei não... será?
( A ) _ É sim, mas eles não serão capaz de amar.
( B ) _ Opa, então vou tratar de escolher uma Roboa muito boa, e que seja bastante mulézinha.
 
Nesse momento precisei deixar a sala para correr e rir longe. Esse instante "Roboa Mulezinha" foi demais pra minha quota. A inocente ignorância, já perfeitamente adaptada e pronta para o futuro, não se pergunta como isso vai funcionar, apenas já sabe que vai funcionar e que cada uma vai ter sua.